Presidente da Faeg defende alternativas de garantia para a agropecuária

  • Data: 08/02/2018

WhatsApp Image 2018 02 07 at 15.47.48 1O produtor rural tem feito sua parte dentro da porteira, mas fora dela, sabemos das dificuldades que o setor agropecuário enfrenta. A afirmação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, que fez a abertura do evento ‘Do Campo à Cidade: Cenário Macroeconômico para 2018 – O Agro em Debate’, realizado nesta quarta-feira (7), em Goiânia (GO). Com o auditório lotado, o evento reuniu produtores rurais, profissionais das áreas agrícola e pecuária, técnicos, estudantes e demais pessoas ligadas à agropecuária em Goiás. A realização é da Faeg, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae Goiás).

Segundo José Mário Schreiner, mesmo diante do cenário ainda incerto da economia brasileira, o produtor goiano se mostra otimista para o ano de 2018. “O campo e o produtor rural sempre foram otimistas por natureza. E esse otimismo tem que ser mantido, mesmo nas dificuldades”, completa José Mário ao citar que vê a política agrícola brasileira conturbada. “Precisamos buscar alternativas e financiamentos para a safra, garantia de seguro rural, buscar infraestrutura e logística que atenda e se equipare ao tamanho que é o setor agropecuário. Mesmo com tudo isso, o agro irá crescer este ano”, pontua o presidente.

De acordo com José Mário, eventos promovidos pela Faeg, como o de hoje, garantem ao produtor goiano oportunidade de se atualizar sobre assuntos que envolvem diretamente produção e inovação. “Um evento como esse permite ouvir especialistas de várias áreas. Temos um ano de eleições e isso também influencia no ambiente econômico do País. Ninguém tem bola de cristal, mas dá para debater o cenário para que os produtores possam planejar melhor suas atividades. O Brasil começa a dar sinais de recuperação de sua economia, os níveis de emprego começam a melhorar, mas temos que ficar atentos”, diz. 

Cenário econômico e político WhatsApp Image 2018 02 07 at 15.41.52

O economista e apresentador do programa Manhattan Connection, da Globo News, Ricardo Amorim, abriu as palestras do evento, falando sobre os impactos do período de forte recessão enfrentado pelo País. Para o economista, existem dados que corroboram a tese otimista, dentre eles, os indicadores de emprego e da taxa de juros. “Há perspectivas positivas para esse ano. O Brasil viveu a sua pior crise da história e, no entanto, conseguiu retomar o crescimento a partir do resgate da confiança, tanto do empresário quanto do consumidor”, destaca. 

Para fortalecer ainda o seu argumento, Ricardo Amorim lembrou que há 15 anos o agronegócio é o motor da economia brasileira. Segundo ele, o Brasil só não quebrou nos últimos anos porque o déficit que tínhamos na balança de produtos manufaturados e industrializados era em grande parte compensado pelo superávit gigantesco do setor.

De acordo com Amorim, o futuro é sempre incerto e, com relação a 2018, não é diferente. “Se as reformas da Previdência e a Tributária forem aprovadas, poderão contribuir para melhorar as contas públicas e fortalecer a competividade da economia brasileira, colaborando para o aumento dos investimentos produtivos e, por consequência, para a geração de mais empregos e um crescimento mais acelerado e mais duradouro”, destaca.

Para ele, maior ainda é a incerteza eleitoral. “Ainda não sabemos ao certo quem serão os candidatos, menos ainda o que farão se eleitos. Apesar disso, o risco de uma guinada substancial na política econômica que possa colocar em risco a recuperação parece relativamente limitado”, aponta.

WhatsApp Image 2018 02 07 at 17.23.25Otimismo 

O setor agropecuário está otimista com relação aos resultados que devem ser alcançados neste ano. No setor agrícola, a expectativa é de safra de 112 milhões de toneladas de soja e 90 toneladas de milho. Já a pecuária de corte trabalha com crescimento de 12%, com saldo de R$ 77 bilhões e PIB do setor de R$ 1,7 trilhão. 

Mercado agrícola

Alcançar resultados positivos na produção da soja e de milho é uma tarefa que não se restringe apenas a questões do campo. O tema foi destaque da segunda palestra do evento Do Campo à Cidade: O Agro em Debate, ministrada pelo consultor de mercado da Terra Agronegócio, Enio Fernandes. De acordo com ele, o ano é bastante promissor com safras e preços satisfatórios. No entanto, o produtor precisa estar atento as oscilações e cotações do mercado, para que a sua margem de lucro seja bem-sucedida. 

“É preciso acertar a gestão do negócio. Não adianta apenas produzir bem, disponibilizar produtos de boa qualidade. É preciso algoritmizar a gestão do negócio, para alcançar as melhores margens de lucro”, afirma Enio Fernandes. Ele explica que o produtor terá de focar a administração do seu negócio nas oscilações do mercado, para ter sucesso na venda. “Os mercados mundiais estão interligados e cada vez mais sofisticados, com administradores atentos a todos os negócios. O lucro, cada vez mais, é o centro das atenções, por isso a profissionalização é fundamental”, pontua. 

Pecuária de corte WhatsApp Image 2018 02 07 at 17.56.31

Já o médico veterinário e analista de mercado do Notícias do Front, Rodrigo Albuquerque, ressaltou em sua palestra ‘Mercado da Pecuária de Corte para 2018’, que o mercado de boi de corte vive a expectativa de uma melhoria em todos os segmentos – cria, recria, engorda, atacado e exportações. Na opinião de Rodrigo Albuquerque, 2018 será de recuperação do mercado da pecuária bovina. Ele explica que em 2017 a pecuária foi atingida pelos problemas surgidos a partir da delação da JBS e da Operação Carne Fraca. “O ânimo dos produtores é positivo. O preço do boi teve recuperação, com alta nominal variando de 4% a 10%. O preço do bezerro já apresenta alta de 14% e do boi gordo, 9%, em relação ao registrado no ano passado”, frisa.

Rodrigo Albuquerque estima que haverá crescimento do volume de abates de 6% de machos e de 8% a 10% de fêmeas, acompanhado de crescimento de 12% no volume de produção. Para ele, no entanto, é preciso haver contrapartida de escoamento dos produtos no mercado de exportação, em pelo menos 10%, e uma reação mais consolidada do mercado interno. “O setor de pecuária bovina de corte começou o ano animado, mesmo tendo de enfrentar a carência histórica de infraestrutura de transportes”, diz.

Texto: Nayara Pereira 

Fotos: Larissa Melo