Pela trilha do empreendedorismo

  • Data: 06/12/2017

aveTirar o sustento de cada pedacinho de seu sítio, herdado pelo esposo na zona rural de Gouvelândia, no Sul goiano, nem passava pela cabeça da hoje avicultora Maria Stael, de 52 anos, que conduz os negócios junto do marido, o engenheiro Manoel Borges, 60. Mas a forma de enxergar o campo e suas atividades mudaram completamente, há cerca de dois anos, graça aos cursos e treinamentos ofertados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás).

Na época, ela e o esposo haviam sofrido um acidente que alterou a rotina do casal. Ele trabalha com instalação elétricas, prestando serviços na região, e ela era dona de casa. “Nunca havia atuado com agronegócio e meu marido não tinha tempo para fazer cursos, por causa do serviço. Com o acidente, recebemos o convite do sindicato para participar das formações”, recorda.

Até então, o casal criava galinhas de fundo de quintal e, impossibilitados de sair da fazenda, por causa do tratamento após o acidente, receberam em sua propriedade vários cursos. O divisor de águas foi o ministrado pelo instrutor na área de Avicultura do Senar Goiás, o zootecnista Gustavo Milanez. “Minha cunhada comentou sobre o que o ele havia dito a respeito de empreendedorismo. Escutei sobre a proposta de aproveitar a pequena propriedade e obter a renda aproveitando cada pedacinho do chão”, relembra ela, que por intermédio do Sindicato Rural (SR), conseguiu agendar um curso para a região.

A formação transformou o pensamento de Maria e Manoel, que perceberam um novo lado a ser explorado na propriedade deles. Para isso, investiram na construção de uma pequena granja, em fase final de construção. O espaço abriga 350 animais. São 200 aves de corte e 150 para postura. “Hoje, estou tomando conta das aves como se fossem um tesouro, são minha vida, meu bem-estar. Eu e meu esposo começamos juntos, por causa do acidente, e compartilhamos experiências, expectativas, anseios e desejos”, explica Maria.

A criação será semi-intensiva, sintonizada com os preceitos de bem-estar animal: as aves são criadas em piquetes e soltas, ao final da tarde, para pastar. “É uma estrutura completamente diferente do que tínhamos, assim como os cuidados, a forma de alimentação, os horários determinados para levar a ração, lavar o bebedouro. A visão que o Gustavo mostrou para gente nos deu confiança para investir no corte e na postura”, enumera.

Ela e o esposo também fizeram outros cursos e treinamentos, como de irrigação e limpeza, e, de forma complementar, vão criar porcos.  “Modificamos o chiqueiro para que ele fosse funcional, por enquanto, temos 22 animais, mas pretendemos ampliar”, explica.  Maria vê os cursos do Senar Goiás como fundamentais para a mudança de pensamento em relação ao meio rural. “Hoje, a avicultura é meu foco. Quero crescer, trabalhar e daqui (do sítio) obter essa renda familiar”, frisa, ressaltando o apoio fundamental do SR em realizar os cursos.

Renda e autoestima

O instrutor na área de Avicultura do Senar Goiás, o zootecnista Gustavo Milanez, explica que, junto ao casal de Gouvelândia, procurou trabalhar uma projeção de atividades e de ganhos. “Fomos mostrando como o quintal poderia ser produtivo. A granja, em pouco tempo, dará retorno, assim como as outras atividades complementares”, projeta. “Conseguimos não só criar uma fonte de renda, mas trabalhamos a autoestima da Maria e do Manoel”, celebra. avicultura

Milanez informa que o treinamento em avicultura tem carga horária de 24 horas e aborda a produção com eficiência visando a lucratividade, ao transformar a criação do fundo de quintal em uma fonte de renda, mesmo que complementar. Segundo técnico do Senar Goiás são abordados aspectos como genética, nutrição, manejo e sanidade. “O foco maior é na produção caipira ou tipo caipira seguindo as normativas e legislação vigente”, afirma.

A ideia é tornar a propriedade rentável com o que já existe. Segundo ele, muitos produtores buscam o treinamento como um “remédio” para resolver um problema momentâneo. “Abordo sempre a possibilidade de negócio. Se tiver responsabilidade com a produção, as doenças não serão problema, pois trabalhamos a prevenção. Com a rentabilidade a visão sobre a atividade muda”, pondera.

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Diene Batista, especial para a revista Campo

Fotos: Fredox Carvalho